2026 entra no radar do comércio exterior brasileiro como um ano de reorganização de cenário. Acordos que estavam em discussão há anos ganharam tração e passaram a influenciar, com mais força, a forma como empresas planejam importação, exportação e supply chain.
Para quem está na operação, isso significa novas combinações de tarifa, regras de origem, exigências de rastreabilidade e padrões de sustentabilidade. Não é uma ruptura total, mas é um contexto diferente daquele que guiou muitas decisões da última década.
Esse movimento abre espaço para oportunidades, mas também aumenta a responsabilidade sobre dados, compliance e previsibilidade de custos logísticos.
O acordo Mercosul-União Europeia em foco
O acordo Mercosul-União Europeia foi desenhado para ampliar o acesso de produtos entre os dois blocos, com redução gradual de tarifas ao longo de alguns anos. De um lado, a indústria europeia tende a ficar mais competitiva em segmentos como máquinas, químicos, fármacos e tecnologia. Do outro, produtos do Mercosul ganham condições mais favoráveis para chegar ao mercado europeu.
O ponto central não é apenas a tarifa. O texto traz capítulos relevantes de comércio e desenvolvimento sustentável, que conectam a política comercial a compromissos ambientais e sociais. Isso coloca temas como desmatamento, rastreabilidade e condições de trabalho na mesma mesa em que estão custos, prazos e qualidade.
Para quem atua em Comex, o acordo exige uma leitura combinada de três camadas: benefícios tarifários, regras de origem e capacidade de comprovar a história da mercadoria ao longo da cadeia.
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Outros acordos que mudam o tabuleiro
Além da União Europeia, o Mercosul avançou em um acordo com a EFTA (Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein), mercados de alto poder de compra e forte presença em setores de valor agregado. Esse tipo de acordo amplia o leque de destinos e origens possíveis para projetos de importação e exportação.
Somam-se a isso acordos já existentes com países como Egito, Israel e Singapura, além de negociações com outros parceiros. O resultado é um mapa comercial mais complexo, com várias camadas de preferências tarifárias e regras específicas.
Para as empresas brasileiras, isso amplia o espaço para desenhar estratégias combinando mercados, regimes aduaneiros especiais e escolhas de origem e destino de mercadorias.
Impactos para formação de preço e margem
A redução de tarifas afeta diretamente a composição de custos e a margem de cada operação. Importadores podem ver produtos europeus chegarem com custo tributário menor, o que influencia tanto o preço final quanto a competitividade frente a fornecedores de outras origens.
Exportadores, por sua vez, ganham mais fôlego para disputar espaço em nichos específicos da União Europeia e de outros mercados com acordo. Em alguns casos, a diferença de tarifa somada a uma estratégia de frete internacional bem negociada pode ser o fator decisivo em um bid global.
Esse cenário reforça a importância de trabalhar com dados de mercado, simulações de cenários e visão integrada de custos logísticos, em vez de depender apenas de histórico ou percepção pontual.
Supply chain, fornecedores e logística inteligente
Os acordos também estimulam uma revisão da matriz de fornecimento. Empresas passam a avaliar com mais atenção a possibilidade de trazer insumos de países com acesso preferencial, ou de estruturar montagens e transformações em territórios que permitam aproveitar melhor as regras de origem.
Regimes aduaneiros especiais, como RECOF e drawback, ganham relevância nesse contexto. Eles ajudam a otimizar a carga tributária em cadeias voltadas à exportação, desde que a empresa tenha controles internos sólidos e integração entre áreas.
Aqui, a logística inteligente faz diferença. Visibilidade de estoques, lead times, capacidade de redirecionar cargas e simular rotas se torna um suporte direto às decisões comerciais, e não apenas uma etapa operacional.
Compliance, ESG e dados como ativo
O avanço dos acordos vem acompanhado de regulações mais rígidas em temas ambientais e sociais. Leis europeias que tratam de desmatamento e rastreabilidade de commodities são um exemplo claro. Para alguns setores, a liberação de mercado passa a depender da robustez das evidências que comprovam a origem da mercadoria.
Esse movimento se conecta ao que muitas empresas brasileiras já vivem: necessidade de compliance aduaneiro forte, classificação fiscal correta, NCM bem definida, catálogo de produtos organizado e documentação de suporte pronta para fiscalização.
A mesma estrutura de dados que sustenta a relação com a Receita Federal pode, e tende a, ser utilizada para atender às exigências desses novos acordos. Informação deixa de ser apenas insumo de registro e passa a ser um diferencial competitivo na hora de acessar mercados mais exigentes.
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Como se preparar sem transformar tudo de uma vez

O contexto de 2026 funciona como convite à revisão de estratégia, não como cobrança para mudar tudo imediatamente. Alguns movimentos ajudam a organizar essa transição.
- Mapear o peso atual de União Europeia, EFTA e outros mercados com acordo nas operações de importação e exportação, identificando produtos com maior potencial de ganho tarifário.
- Revisar NCM, descrições e atributos de produtos, além das regras de origem aplicáveis, para reduzir risco de perda de benefício e aumentar a segurança em auditorias.
- Fortalecer a governança de dados, integrando sistemas de compras, vendas, fiscal, Comex e ESG, para facilitar a emissão de relatórios e dossiês de comprovação.
- Investir em automação de cotações de frete, simulações e análises de custo total, trazendo mais previsibilidade para decisões de médio e longo prazo.
- Aproximar Comex, jurídico, fiscal, sustentabilidade e tecnologia, tratando acordos internacionais como tema transversal dentro da empresa.
Esses passos podem ser implementados de forma gradual, começando pelos fluxos de maior impacto e avançando conforme a maturidade da organização.
Olhar estratégico para o futuro do seu Comex
Os acordos que ganham corpo em 2026, como Mercosul-União Europeia e Mercosul-EFTA, não são apenas notícias de política externa. Eles compõem o ambiente em que as decisões de sourcing, venda, precificação e alocação de risco serão tomadas nos próximos anos.
Empresas que enxergarem esses movimentos como parte do planejamento de comércio exterior e supply chain, e não apenas como um tema regulatório, tendem a capturar mais valor. O diferencial estará em combinar benefícios tarifários, logística inteligente, automação de processos e uma base sólida de dados e compliance.
Com isso, o futuro do seu Comex deixa de ser apenas uma reação a mudanças de regra e passa a ser um projeto consciente de competitividade em um cenário global mais conectado e exigente.
A proposta da Narwal é apoiar exatamente essa virada: transformar informação de Comex em decisão estratégica, reduzir complexidade operacional e dar mais segurança para que sua equipe navegue essa nova fase dos acordos comerciais com clareza e foco em resultado.
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