Se 2025 foi o ano em que muita empresa “aceitou” a transformação do comércio exterior, 2026 em diante tende a ser o período em que ela será cobrada na prática, por sistema, por integração e por obrigação acessória.
A agenda de importação e exportação está sendo puxada por três forças ao mesmo tempo. Primeiro, a digitalização definitiva via Portal Único. Depois, a padronização de dados. E, por fim, novas camadas de compliance tributário e ambiental. Ou seja: menos improviso, mais rastreabilidade. E, sim, mais previsibilidade para quem se preparar.
A seguir, estão as tendências mais relevantes para o comex pós-2025, com impacto real em prazo, custo e risco.
1) Portal Único e DUIMP viram obrigação
Até pouco tempo, “migrar para o Portal Único” era tratado como iniciativa. Agora, a migração está sendo dirigida por cronogramas e fases. E isso muda a governança interna: o comex para de ser uma operação manual e passa a ser uma operação unificada e automatizada.
O ponto central é a DUIMP no Novo Processo de Importação (NPI). Ela está sendo usada para substituir, de forma gradual, fluxos antigos e documentos que eram mantidos em esteiras separadas. Esse avanço tem sido comunicado com atualizações frequentes e com cronogramas oficiais de adoção.
Na prática, a pergunta deixa de ser “quando eu vou migrar?”. E vira “como eu vou operar bem depois que migrar?”. Portanto, times que investirem em rotina, cadastros e integrações vão ganhar tempo de desembaraço. E também vão reduzir retrabalho.
Automatize a emissão da DUIMP: Conheça o Narwal Trade
2) Catálogo de Produtos vira ativo de produtividade
Se existe uma peça que parece burocrática, mas entrega escala, é o Catálogo de Produtos. Ele está ligado a um princípio simples: padronizar para reutilizar.
Quando o cadastro é bem feito, a DUIMP não precisa ser montada do zero a cada importação. Em vez disso, informações são reaproveitadas. E, como consequência, o processo fica mais ágil. Esse conceito é explicitado em material oficial, inclusive com orientação de que o cadastro prévio tende a deixar o fluxo menos lento.
Além disso, a integração técnica está pronta para ser explorada. Existe documentação oficial de API do Catálogo de Produtos (CATP). Ou seja: cadastros podem ser alimentados por ERP, PIM, esteiras internas e governança de dados.
Em resumo: produto bem cadastrado vira “atalho” operacional. Produto mal cadastrado vira gargalo repetido.
3) Integração via APIs acelera: comex passa a ser também tecnologia
No pós-2025, o comex vai ser cada vez menos “uma tela” e cada vez mais “um ecossistema”. Isso acontece porque integrações estão sendo estimuladas oficialmente pelo Portal Único, com documentação pública para conexão entre sistemas privados e módulos governamentais.
Dois exemplos claros entram na mesa:
- Controle de Carga e Trânsito (CCT): há APIs oficiais para controle e consulta de eventos logísticos, inclusive em fluxos de exportação e em modalidades específicas de importação.
- Recintos / API-Recintos: a prestação de informações técnicas e operacionais vem sendo tratada com guias oficiais, conectando recintos, sistemas e exigências de transmissão de dados.
O efeito prático é bem direto: mais automação será exigida para competir em prazo. E, ao mesmo tempo, erros manuais serão mais caros, porque serão rastreáveis.

4) Reforma tributária encosta na operação: obrigação acessória entra no detalhe do item
Aqui está a parte que muita gente vai sentir no dia a dia: o dado tributário por item está sendo operacionalizado no fluxo de importação.
A Lei Complementar 214/2025 institui elementos do novo modelo (IBS e CBS, entre outros). E já existe orientação prática publicada no âmbito do Siscomex sobre preenchimento do cClassTrib nas declarações, incluindo indicação de campo específico na DUIMP.
Traduzindo: mais informação estruturada será requerida, e ela terá de estar correta no nível de mercadoria. Além disso, processos internos terão de ser revisados. E isso tende a envolver fiscal, TI, cadastro, compras e comex na mesma mesa. Portanto, governança deixa de ser luxo e vira requisito.
5) OEA segue ganhando peso como estratégia de risco e fluidez
Outra tendência é a valorização de programas de conformidade e gestão de risco. O OEA (Operador Econômico Autorizado) tem sido mantido como agenda ativa pela Receita Federal, com páginas dedicadas e estatísticas de representatividade.
Mesmo quando a empresa não está certificada, a lógica OEA influencia o mercado: processos são padronizados, controles são documentados e risco é gerenciado. Com isso, o “compliance operacional” passa a ser percebido como diferencial competitivo, não como burocracia.
6) Compliance ambiental entra no radar: CBAM e rastreabilidade de emissões
Para quem exporta, ou para quem vende para cadeias que exportam, a régua ambiental está ficando mais objetiva.
O CBAM da União Europeia (Carbon Border Adjustment Mechanism) entrou em fase transitória em outubro de 2023, com período de transição até 31 de dezembro de 2025. A própria página oficial descreve a fase transitória e o modelo de implementação. E, no pós-2025, o tema tende a ganhar ainda mais governança interna, porque dados de produto e cadeia passam a ser solicitados com mais frequência.
Mesmo quando a empresa não exporta para a UE, esse tipo de exigência “contamina positivamente” o mercado. Afinal, fornecedores passam a ser cobrados. E dados passam a ser pedidos em cascata. Portanto, rastreabilidade e qualidade cadastral voltam ao centro.
7) O novo KPI do comex: previsibilidade
No fim, a tendência mais forte é cultural. O comex pós-2025 premia previsibilidade.
Quando dados são estruturados, integrações são usadas e cadastros são confiáveis, a operação deixa de depender de “correria”. Em contrapartida, quando tudo é feito no improviso, cada mudança de regra vira incêndio. E incêndio consome margem.
Por isso, empresas mais maduras estão tratando o comex como um motor de vantagem: custo, prazo, compliance e inteligência de decisão. E essa virada medida no caixa.
Esse cenário não pede mais uma planilha “bem feita”. Ele pede processo, dado e visão ponta a ponta.
É exatamente por isso que soluções como a Narwal fazem sentido no comex pós-2025: porque ajudam a traduzir mudança regulatória e avanço do Portal Único em rotina operacional, com padronização, rastreabilidade e governança.
Assim, quando o jogo vira (e ele vira rápido), a empresa não precisa correr atrás do prejuízo, ela só executa.
A Narwal é o maior software de gestão de Comércio Exterior e Logística Internacional do Brasil.