O desligamento da DI deixou de ser boato de corredor de despachante e virou cronograma oficial. A Receita Federal e a Secex vêm promovendo, desde 2024, o desligamento faseado da Declaração de Importação (DI), migrando as operações para a DUIMP dentro do Novo Processo de Importação (NPI).
O cronograma de desligamento do Siscomex LI/DI, publicado no Portal Único e atualizado em janeiro de 2026, já impede o uso da DI para diversos cenários e prevê datas finais de desligamento para operações específicas, com últimas exceções indo até agosto e dezembro de 2026.
Tradução: se a sua operação ainda “vive” em DI, você está operando sobre solo que tem data para desaparecer. A pergunta não é se isso vai acontecer, mas qual é o seu plano B para não parar na virada de sistema.
O que significa, na prática, o desligamento da DI?
O desligamento não é um “apagão” único, e sim uma transição faseada:
- determinados tipos de operação, modais e regimes são migrados primeiro para DUIMP;
- a partir da data do cronograma, não é mais possível registrar LI/DI para esses casos;
- apenas situações ainda não suportadas na DUIMP continuam utilizando DI de forma residual.
Ao mesmo tempo, a DUIMP se consolida como declaração padrão de importação, integrada ao Portal Único, com uso intensivo de Catálogo de Produtos, LPCO e atributos. Todas as operações hoje feitas com DI tendem a ser migradas para esse novo modelo no horizonte de 2025–2026.
Ou seja: insistir em DI é insistir em um fluxo que o próprio governo já declarou como em extinção.
Quem ainda depende da DI hoje?
Na prática, vemos quatro perfis de empresas que seguem altamente dependentes da DI:
- quem ainda não estruturou Catálogo de Produtos e atributos para DUIMP;
- operações com múltiplos órgãos anuentes, que ficaram “empurrando com a barriga” a migração enquanto a DI ainda era aceita;
- empresas que concentram o risco no despachante (“ele resolve no sistema”) e não internalizaram o NPI;
- times de Comex que seguem operando majoritariamente via planilhas, sem integração sistêmica com o Portal Único.
Se você se reconhece em algum desses pontos, o desligamento da DI não é só um tema de sistema: é um risco de parada operacional e quebra de previsibilidade de importação.
Os riscos de não ter um plano B
Ficar “até o último dia” na DI tem um custo que não aparece apenas no manual técnico:
- Risco de ruptura de fluxo
Quando uma operação passa a ser obrigatória via DUIMP, o Siscomex simplesmente não aceita mais DI/LInaquela condição. Não é uma recomendação; é bloqueio. Se seus cadastros, atributos e LPCOs não estiverem prontos, o embarque trava. - Aumento de custo oculto
Ajustar tudo “em cima da hora” significa horas extras de equipe, retrabalho com despachante, riscos de autuações por preenchimento incorreto e, claro, atraso no desembaraço, com impacto direto em armazenagem e frete. - Perda de governança aduaneira
A DI, apesar de conhecida, é muito menos estruturada que a DUIMP em termos de dados. Adiar a migração é adiar também a chance de ter visibilidade analítica sobre regimes, tributos, prazo médio de desembaraço e performance por NCM. - Dependência excessiva de terceiros
Se sua inteligência de Comex está toda na mão do despachante, você troca um risco tecnológico (desligamento da DI) por um risco operacional: qualquer mudança de parceiro vira um trauma.
Plano B: como sair da DI sem paralisar a operação
Plano B, aqui, não é “um jeitinho” para manter a DI viva. É justamente o contrário: um plano estruturado para operar 100% em DUIMP, com resiliência e previsibilidade. E é nesse ponto que plataformas como a Narwal entram como habilitadoras – não apenas como registradoras.
1. Diagnóstico de exposição por NCM, regime e órgão anuente
Comece pelo básico:
- liste suas operações de importação dos últimos 12–24 meses;
- agrupe por NCM, regime aduaneiro e órgão anuente;
- cruze esse mapa com o cronograma de desligamento LI/DI para identificar o que já é DUIMP obrigatório, o que é opcional e o que será desligado em breve.
Esse raio-x mostra exatamente onde você ainda depende da DI e qual o risco por linha de negócio.
2. Estruturar o Catálogo de Produtos e atributos
O coração da DUIMP é o Catálogo de Produtos. Sem ele, não há plano B:
- valide NCM e descrição de mercadorias;
- consolide atributos exigidos por tratamento administrativo e órgãos anuentes;
- padronize unidades de medida, códigos internos e correlações com o ERP.
Uma plataforma especializada em Comex ajuda a transformar isso em cadastro vivo, e não em mais uma planilha esquecida.
3. Rever o fluxo de licenças (LPCO) e anuências
No NPI, licenças migram para o LPCO. Não adianta ter DUIMP pronta se o gargalo está na licença:
- identifique quais operações ainda dependem de LI “tradicional”;
- revise os modelos de LPCO disponíveis e as mudanças recentes de cada órgão;
- crie um fluxo padrão de solicitação, controle de saldo e vencimento.
Aqui, automação faz diferença: integração entre LPCO, Catálogo e DUIMP reduz retrabalho e minimiza exigências.
4. Integrar sistemas: do ERP ao Portal Único
Operar DUIMP “na mão”, tela a tela, pode até funcionar para volume baixo. Para quem tem escala, é receita pronta para gargalos:
- integre ERP, sistema financeiro e gestão de frete internacional com o Portal Único;
- reaproveite dados mestres (fornecedor, incoterm, condição de pagamento) no preenchimento da declaração;
- padronize eventos e status de carga para que TI e operações falem a mesma língua.
O objetivo é simples: a tecnologia precisa suportar o Novo Processo de Importação como regra, não como exceção.
5. Governança e indicadores
Plano B bom não é só tecnologia. É gente preparada:
- treine o time nas diferenças práticas entre DI e DUIMP;
- defina políticas de cadastro, revisão de NCM e compliance aduaneiro;
- acompanhe KPIs como tempo médio de desembaraço por regime, índice de exigências, custo logístico por NCM.
Quando esses dados estão centralizados, você consegue enxergar se a migração para DUIMP está, de fato, reduzindo risco ou apenas trocando tipo de trabalho.
Conheça a Narwal
O desligamento da DI força empresas a saírem do modo apagar incêndio para o modo gestão integrada de importação. É exatamente esse o espaço em que a Narwal se posiciona:
- conectando Catálogo de Produtos, LPCO, DUIMP, frete internacional e indicadores em um só lugar;
- permitindo que você simule impactos de mudanças de regime, modal ou rota no custo total de importação;
- entregando visibilidade em tempo real da sua operação, em vez de depender de múltiplos sistemas e planilhas paralelas.
Em um cenário em que o desligamento da DI é certo, o verdadeiro plano B não é torcer por mais prorrogações, e sim assumir o controle da transição.
Se hoje a sua operação ainda depende fortemente da DI, a pergunta é direta: você quer ser a empresa que para na virada de sistema ou a que usa a DUIMP e o NPI para ganhar eficiência, compliance e margem antes da concorrência?
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