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Início » Dicas » Como o CBAM da União Europeia Impacta sua Importação em 2026

Como o CBAM da União Europeia Impacta sua Importação em 2026

  • Foto de Redação Narwal Redação Narwal
  • 5 fevereiro 2026
  • 10 minutos
bandeira união europeia

A partir de 1º de janeiro de 2026, o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM) entra na sua fase definitiva na União Europeia. Na prática, importadores europeus passam a pagar sobre bens intensivos em emissões que entram no bloco, por meio de certificados CBAM.

De 2023 a 2025, o CBAM funcionou em modo soft: só coleta de dados e relatórios trimestrais, sem desembolso financeiro. Em 2026, o cenário muda: continua a obrigação de reportar, mas começa a cobrança sobre as emissões embutidas nas cadeias de suprimentos.

Se você atua em importação, frete internacional ou gestão de supply chain global, isso mexe diretamente com custos, previsibilidade e margem – mesmo que você não esteja fisicamente na Europa.

O que exatamente é o CBAM?

O CBAM é um mecanismo climático que busca alinhar o custo de carbono dos produtos importados ao custo que as indústrias europeias já pagam no sistema de comércio de emissões (EU ETS). Ele foi criado para evitar o chamado carbon leakage: empresas deslocando produção para países com regras ambientais mais frouxas.

Hoje, o CBAM cobre principalmente:

  • ferro e aço
  • alumínio
  • cimento
  • fertilizantes
  • hidrogênio
  • eletricidade

Ou seja, setores intensivos em energia e emissões, fortemente ligados à base industrial de países exportadores como o Brasil.

O plano europeu é fazer o CBAM crescer de 2026 a 2034, à medida que as indústrias da UE deixam de receber cotas gratuitas de carbono no ETS. O mecanismo vai cobrindo uma parcela cada vez maior das emissões embutidas até chegar a 100% em 2034.

O que muda em 2026?

Até dezembro de 2025, o CBAM exigia apenas relatórios trimestrais de emissões, sem pagamento. A partir de 1º de janeiro de 2026:

  • apenas declarantes CBAM autorizados poderão importar bens cobertos, acima de 50 toneladas por ano;
  • o importador europeu deve comprar certificados CBAM, cujo preço é atrelado ao valor médio das licenças do EU ETS (€/t CO₂);
  • todo ano, ele precisa declarar as emissões embutidas e entregar certificados equivalentes a essas emissões;
  • se provar que já houve pagamento de preço de carbono no país de origem, pode abater esse valor.

O primeiro prazo de entrega de certificados para as importações de 2026 é 30 de setembro de 2027, o que significa que o custo CBAM entra nas negociações comerciais já em 2026, mesmo que o desembolso ocorra só no ano seguinte.

E onde sua importação entra nessa história?

varios metais empilhados representando o cbam

Mesmo que o importador estabelecido na UE, o custo não fica parado na alfândega. Ele é redistribuído na cadeia via:

  1. Reprecificação de produtos
    Se você vende (ou pretende vender) produtos de aço, alumínio, cimento ou fertilizantes para um cliente na UE, seu comprador vai começar a precificar o CBAM na negociação. Em outras palavras: se suas emissões forem altas e pouco transparentes, você tende a virar o elo mais caro da cotação.
  2. Pressão sobre sua margem e seu frete internacional
    O CBAM entra como mais um componente na equação de custo total de importação, junto com frete internacional, seguro, armazenagem, tarifas e tributos.
  3. Concorrência assimétrica entre fornecedores
    Países ou empresas com matriz energética mais limpa podem virar alternativa preferencial de compra dos importadores europeus, deslocando volumes de fornecedores mais intensivos em carbono.
  4. Efeito indireto nas suas compras da UE
    Se você importa insumos produzidos na UE para montar produtos no Brasil ou em outros mercados, o CBAM tende a elevar o custo de produção europeu – o que, inevitavelmente, repercute no preço que pago.

Setores brasileiros mais expostos

Para empresas brasileiras, os impactos imediatos se concentram em operações ligadas a:

  • siderurgia e metalurgia (ferro, aço, alumínio);
  • fertilizantes;
  • cimento e materiais de construção;
  • cadeias que usam intensamente esses insumos em produtos semiacabados.
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O que fazer em 2026

Aqui entra a parte prática. Se você é gestor(a) de Comex, logística ou supply chain, 2026 é ano de agir com dados e logística inteligente:

Mapear exposição ao CBAM por NCM

  • Liste produtos e insumos ligados a ferro, aço, alumínio, cimento, fertilizantes, hidrogênio e eletricidade.
  • Conecte NCM/HS a códigos CBAM: isso mostra rapidamente quais linhas de produto podem embutir custo de carbono nos preços para a UE.
  • Use essa base para priorizar fornecedores e rotas críticas.

Estruturar dados de emissões com fornecedores

A grande dor do CBAM é dado de emissão confiável. Sem dado real, o importador pode usar valores default mais altos, o que encarece ainda mais o seu produto.

  • Comece pedindo fatores de emissão e relatórios de carbono dos fabricantes.
  • Onde não houver dado, combine um plano de monitoramento e medição (inclusive com apoio de verificadores externos).
  • Trate isso como parte da sua estratégia de compliance.

Rodar cenários de custo e margem

Simule o impacto do CBAM na sua formação de preço:

  • considere o preço projetado do carbono no ETS;
  • calcule diferentes cenários de emissões (real vs default);
  • veja o efeito na margem por produto, rota e cliente.

Isso ajuda a:

  • renegociar contratos com base em dados objetivos;
  • ajustar prazo, preço e indexadores em contratos de longo prazo;
  • decidir onde faz sentido investir em redução de emissões na cadeia.

Revisar INCOTERMS e contratos de frete internacional

O CBAM é pago na fronteira europeia, mas quem absorve esse custo depende da estrutura contratual:

  • INCOTERMS como CIF e DAP podem concentrar mais risco no lado europeu ou no exportador;
  • cláusulas de pass-through de custos de carbono começam a aparecer em contratos internacionais.

Rever tudo isso com foco em previsibilidade de custos logísticos é tão importante quanto negociar bem o frete internacional em si.

Automação e integração de dados

Sem sistemas, o CBAM vira um pesadelo de planilhas:

  • cadastros de produtos, NCM e atributos;
  • origem, produtor, rota e modal;
  • dados de emissões e documentos de verificação.

Integrar isso em uma plataforma de Comex reduz erro manual, acelera resposta para clientes europeus e torna o monitoramento de risco regulatório parte do dia a dia, e não um mutirão a cada auditoria.

CBAM: é um vantagem competitiva?

O CBAM não é apenas “mais uma exigência da Europa”. Ele é um filtro competitivo global: quem tiver cadeia limpa, dados robustos e logística bem desenhada tende a ganhar espaço; quem insistir em operar no escuro perde margem e previsibilidade.

Para muitas empresas brasileiras, há inclusive uma oportunidade: setores como o aço verde já apontam que a menor intensidade de carbono pode virar argumento comercial forte na briga por mercado na UE.

Em 2026, o mais arriscado não é o CBAM em si, mas tratar o tema só como burocracia aduaneira, e não como variável estratégica de custo, frete e posicionamento competitivo.

Se a sua empresa quer transformar o CBAM em vantagem competitiva, o próximo passo é claro: estruturar dados, automatizar o fluxo de informações e ganhar visibilidade ponta a ponta da operação. É exatamente isso que a Narwal se propõe a fazer na gestão de comércio exterior – reduzir risco, proteger margem e devolver previsibilidade para o seu time de Comex.

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A Narwal é o maior software de gestão de Comércio Exterior e Logística Internacional do Brasil.

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